1 de janeiro de 2011

O alvorecer de uma nova era

Sim meus caros amigos. Este blog ressurge no alvorecer do ano vindouro. Sem exigências incisivas, sem grandes expectativas, sem a pressão da dead-line apertada do dia-a-dia acadêmico. Após um fim de ano imerso numa crise sentimental há muito não experimentada por este blogueiro que vos fala; passei uma virada de década tranqüila com meus familiares e eu observando os transeuntes que se aglutinavam na praia enquanto uma fina garoa caia segundos antes do inicio da queima de fogos a beira mar.

Abdiquei uma noitada regada a bebida por uma manhã singela em busca de pães quentes e fresquinhos para o café. Sim, caríssimos. Esse blog renasce vivendo a simplicidade das pequenas coisas da vida. Saudades de fazer essas cafonices que a rotina acadêmica pautada pelos prazos não permite viver com plenitude durante o ano balizado pelas atividades universitárias.

Troquei uma tarde ensolarada na praia por um aparelho televisor 21 polegadas onde vi o discurso de posse da "presidenta" eleita (é assim que ela quer ser chamada) Dilma Rousseff. Na minha condição de estudante de jornalismo - na humilde, acredito que todo cidadão brasileiro - tenho que estar a par dos grandes acontecimentos que ocorrem em nosso território. Claro que minha consciência não ficaria tranquila consigo se eu deixasse passar batido um evento com tamanho relevo histórico no calendário nacional. Contemplei atentamente a grandeza de espirito da nação com olhos de geógrafo.

Gostei de ouvir as sóbrias palavras da presidenta que se pautou num discurso lúcido e sereno sobre a realidade brasileira, no seu primeiro pronunciamento oficial à nação. Achei engraçado o Sarney atuando como mestre de cerimônias numa transição de governo na qual ele foi ator principal há 25 anos atrás. Os pêlos do meu braço quase se arrepiaram quando ouvi a presidenta discursando:

"Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens."

Creio piamente nas palavras bem intencionadas de Dilma. A educação é a cereja do bolo de um crescimento econômico "mantível" - me recuso a usar o famigerado termo sustentável, vocábulo banalizado pela promessas da classe política. A qualidade do ensino precisa alcançar indices tão frutíferos quanto os alcançados no âmbito econômico, do contrário essa guinada vivida na Era Lula pode se transformar num grande castelo de areia ao longo do tempo.

Fiquei contente em notar que "falsos moralismos" já não pautam com veemência os costumes sociais brasileiros. A presidenta desfilando ao lado da filha dentro do Rolls-Royce presidencial é um momento de sutil simbolismo dentro de uma sociedade tão cheia de peculiaridades como a nossa. Moderno e 'destemido', acredito que o vice, Michel Temer, não deve se importar com o fato de sua jovem esposa ser uns três centimetros mais alta que o nosso novo número 2 da Nação.

Um povo que aprendeu a vestir a camisa e não se entregar no primeiro obstáculo ao ver a olímpica batalha do antigo vice, José Alencar, contra um câncer. Que só não desceu a rampa do Planalto porque está internado, mas mesmo assim colocou o terno e a gravata amarela para assistir a Cerimônia de Posse do seu quarto no hospital.

Enquanto a figura de Lula representava o brasileiro que trabalhou arduamente para ascender na vida e sustentar os filhos, Dilma poderá representar a legião de mães adolescentes e mulheres injustiçadas desse país. Fortes tendências, meus caros. Os simbolismos falam por si.

Me despeço aos sabores da democracia participativa.

Agora vivemos uma República de Saias.

Um comentário:

Larissa disse...

Oi Daryy...
cara, ainda não tinha lido o teu blog...muito legal!

adorei este post e reafirmo o que você comentou nele...de nada adianta uma nação desenvolvimentista como a que foi guiada pela "Era Lula" se a educação sempre for a última coisa a ser tratada pelos assuntos políticos;

Ainda bem que esse país tem pessoas como nós, que escolhem a profissão Professor pelo prazer e pela esperança de que um dia a educação no Brasil poderá ser levada a sério, com Professores bem pagos, salas de aula adequadas, bons livros, formação continuada, apoio pedagógico...etc

Vamos ver...agora é esperar a nossa "Presidenta" dar as coordenadas para a educação...hehehe, pra não perder o costume da pitada geográfica!!!

Beijão, Larissa Corrêa