22 de junho de 2010

Cabeça de Turco


Para que se interessa numa boa historia sobre jornalismo investigativo, vale a penar ler o livro-reportagem Cabeça de Turco, do jornalista alemão Gunter Wallraff. O livro já foi publicado em mais de 33 países, vendendo mais de dois milhões de cópias. No Brasil foi publicado pela editora Globo e o prefácio é de William Waack.
A obra revela o destino inglório reservado aos imigrantes que iam morar na Alemanha na década de 80. Nessa época os trabalhadores estrangeiros eram conhecidos na Alemanha como “gastarbeiters” e somavam 1,5 milhões de pessoas. Turcos, iugoslavos, gregos e poloneses lidavam em atividades insalubres, cumprindo jornadas de trabalho de 36 horas a fio.
Essa é a dura realidade encarada por Gunter Wallraff ao assumir seu heterônimo jornalístico, o personagem Ali Sinirlioglu, um imigrante turco. Para se adaptar a realidade de um estrangeiro na Alemanha, jornalista usa lentes escuras, bigode, aplique para os cabelos e documentos falsos. Fala um alemão com sotaque, para seu disfarce não ser descoberto. Disfarçado de turco, ele denuncia as péssimas condições de trabalho que estava sujeito um imigrante que trabalhava na Alemnha em 1985.
O livro vale a Walraff é um camaleão do jornalismo investigativo. O método utilizado pelo jornalista alemão é polêmico. Apesar das criticas, são poucos os profissionais que arriscam a própria vida para apurar uma reportagem.
Depois que li Cabeça de Turco, lembrei do repórter Tim Lopes, que foi assassinado há oito anos atrás, apurando uma reportagem sobre sexo explicito e consumo de drogas na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, em 2002.

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