Hoje é dia de reis. Data que marca a chegada dos três reis magos a manjedoura de Cristo. Rezam as escrituras sagradas que os três reis magos enviados do oriente foram guiados por uma estrela-guia. Lembrei de um trecho da música A rosa. É nesses momentos que fico pensando um mago do ‘oriente’ ou a estrela-guia? Um dilema cristão do coração.
Bares. Amigos, tenho que lhes confessar que adoro freqüentar um boteco daqueles bem pé-sujo. É um legitimo berçário de pautas. Encostado ali no balcão às vezes me sinto rei. Não sou muito fã do álcool, mas bares também vendem café. É do balcão de um boteco que lhes escrevo este texto. Entrei num desses para comprar chicletes.
Um senhor alto da dose percebeu que eu estava com dois jornais em baixo do braço. Perguntou se eu não tinha o Diário Catarinense. Informei-lhe que possuia apenas o Diarinho e um outro jornal de distribuição gratuita que circula em Navegantes. O senhor de olhar humilde me pediu para ler o horóscopo do Diarinho, indicando a página 12.
Então li para ele o de Aquário: “Você está muito crítico nos seus relacionamentos pessoais. Momento favorável para o desenvolvimento da sua carreira profissional. Através do apoio de outras pessoas, sócios clientes, você poderá melhorar sua situação material. Após a leitura eu larguei um “Tá vendo!?” O velhinho simpático abriu um sorriso. Ontem foi seu dia de reis, pois veio ao mundo sua netinha. Nos despedimos.
Bares 2. Então segui novamente no caminho de volta para casa, mas tinha esquecido de um pequeno detalhe: no verão as tempestades se armam a qualquer instante. Qual o melhor lugar para um homem se proteger da chuva? Um boteco-pé-sujo. O segundo do dia. Neste havia apenas o dono do bar, seu Raul, que me ajeitou uma cadeira de plástico na porta do estabelecimento. Logo chegou uma senhora capixaba e seu filho. Também aportou um cliente antigo da casa que se amparou num pacotinho de amendoim que ele pegou no balcão.
Ficamos ali na porta observando o toró d´água. Então a senhora capixaba inciou uma conversação sobre geografia urbana. Comentou sobre as fortes chuvas que também alagam Vitória no verão. O cliente antigo pediu para imaginarmos São Paulo, com seus prédios e impermeáveis nesta época do ano. Mencionei que não há galeria que dê conta do volume de água. Matutamos um pouco.
Seu Raul, até então um ouvinte, deu-nos uma lição de engenharia, arquitetura e sustentabilidade. Estava falando sobre uma construção próxima ao bar. “O Tonho fez a casa praticamente sozinho. As telhas são todas amarradas e o ripamento é de concreto. Não vai madeira” Fiquei admirado com as inovações tecnológicas relatadas por ele.
O motoboy do jogo do bicho acaba de chegar: “Carneiro!”. O tio do bar estava assistindo o telejornal então percebi que o horário tinha avançado e já estava na hora de retornar para casa, pois a fome estava assombrando meu estomago e eu já havia saciado minha vontade de escrever.
Já tinha levantado do banquinho e me direcionado para rua. Mas fiquei ali, de pé, próximo a porta, pois estava passando na TV a tele-reportagem sobre a agressão ao repórter da RBS, o Francis Silvy, que levou dois socos na cara e por sorte se escapou de um pipoco. Os agressores estavam munidos de uma pistola. Um deles é dono de um shopping suspeito. O jornalista estava apurando uma denúncia feita pelo Ministério Publico. Disse ao seu Raul: “É isso que me espera!”.
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