Hoje me deparei com uma biografia de Anita Garibaldi escrita pelo jornalista Paulo Markun. O livro sobre a nossa eterna heroína de dois mundos foi escrito em 1999. A obra é uma homenagem a Comemoração aos 500 anos de descobrimento do país. Estou com ele na mão porque é uma das obras que a lombada se destaca na minha estante. Um projeto gráfico muito bem acabado, diga-se de passagem, impresso em papel couché, com ilustrações de conteúdo histórico relevante que permeiam a narrativa suave e constante de Markun nas páginas de Anita Garibaldi - uma heroína brasileira.
Estava lendo a orelha direita do livro e um dado miudo me chamou a atenção. O autor da biografia histórica iniciou sua carreira profissional em 1971. Paulo Markun tem 40 anos de jornalismo nas costas. Apresentou o programa Roda Viva na TV Cultura de 1998 a 2008. O jornalista também foi presidente da Fundação Padre Anchieta – que administra a TV Cultura – de 2007 a 2010. Atualmente Markun é comentarista político da TV Gazeta. Sinto saudades daquele Roda Viva clássico e austero que o Paulo Markun apresentava com um anfiteatro de repórteres sabatinando o entrevistado – figura pública importante – no centro da arena.
Lembrei que hoje é segunda-feira e não é mais ele o âncora do programa que já não tem mais a pegada editorial de antes. O anfiteatro de outrora foi reduzido a uma mesa com cinco pessoas com a Maria Gabriela no centro, vociferando seu temperamento de escrivã de porta de delegacia ao lado de Paulo Moreira Leite que parece firmar o pulso com ‘alguma coisa’ antes de ir pra bancada desse Roda Viva recauchutado. O programa preservou apenas a cabeça do chargista.
É angustiante ver uma entrevista onde as perguntas aparecem mais que as respostas, onde o entrevistador gesticula mais que o entrevistado, onde parece que há mais intimidade no debate do que profissionalismo e conteúdo jornalístico que se preze. Você menina de rostinho bonito que acha que tem talento para o jornalismo e um dia sonha brilhar na telinha da TV, abra seu olho para essas nuances. O telespectador não tem tempo a perder com o exibicionismo de apresentadores presunçosos.
O primeiro Roda Viva sob o comando de Marília foi uma entrevista com a excelência em pessoa, o Eike Batista. Um milionário que saiu da ‘classe C da riqueza’ e agora tenta fazer fortuna para entrar no seleto grupo do G4 dos bilionários eleitos todo ano pela revista Forbes. Alguém tem que pedir para o Bill Gates dar uma ligadinha pra ele fazer parte daquele grupo de ricaços que vai doar metade da fortuna a Instituições de Caridade após o seu falecimento. Mais ai o ‘Nike’ Batista teria que andar com um forte esquema de segurança porque não faltaria gente querendo sua cabeça em nome da caridade.
A Marília Gabriela narra o perfil do entrevistado do mesmo modo que faz no seu talk show no SBT. Não muda uma vírgula sequer no texto que segue o mesmo molde há anos. É uma pena, amigos. Aquele nosso Roda Viva de referência e gabarito dentro do jornalismo já não é mais aquele Roda Viva que vimos nascer em 1986. O que ainda salva o programa é o talento silencioso do cartunista Paulo Caruso. Saudades, Markun.
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